Apesar de naturais, nem todos os medicamentos à base de plantas são liberados para uso indiscriminado. O alerta é do farmacêutico naturopata Jamar Tejada, da capital paulista. O especialista conta que as ervas e os produtos à base de plantas não são isentos de risco e é preciso estar atento a alergias, contaminações, toxicidade e — principalmente – interações e misturas com todo tipo de medicamentos. 

Apesar de serem regulamentados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), os medicamentos fitoterápicos são produtos que contem, exclusivamente, derivados vegetais, extratos ou a própria planta medicinal seca e pulverizada, o que não os faz completamente inofensivos. “Como o próprio nome diz, são medicamentos e portanto, precisam ser devidamente prescritos para um determinado tratamento”, afirma.

 Entre os principais problemas deste consumo sem orientação está que a interação com medicamentos convencionais e/ou alimentos podem causar intoxicação – seja pelo uso inadequado de doses, ou por tempo acima do recomendado. A mistura ainda pode causar toxicidade renal e hepática e imunossupressão (redução das defesas naturais do corpo).

 Misturar um simples usado para impedir a formação de coágulos, com um medicamento fitoterápico para a memória, a base da planta ginkgo biloba, por exemplo, pode levar à morte. Combinar as duas substâncias pode causar hemorragias em várias artes do organismo, como na órbita ocular, ou manchas roxas pelo corpo. No cérebro, as consequências podem ser fatais…

Os fitoterápicos podem alterar de modo expressivo a coagulação sanguínea, podendo levar a hemorragias. O simples uso de AAS (ácido acetilsalicílico), por exemplo, tão popularmente usado para tratar dores, febre e inflamações ou mesmo para impedir a formação de coágulos se associado ao uso de alguns fitoterápicos como alho, gengibre, salsinha, ginseng, ginkgo biloba e/ou guaco podem alterar de modo expressivo a coagulação sanguínea, podendo levar a hemorragias. Por isso é bom evitar a associação dessas plantas a anticoagulantes sintéticos.

 Há fitoterápicos que baixam a glicemia, muito usadas por diabéticos como, por exemplo, a pata-de–vaca, jambolão e melão de são caetano, o problema é que elas também podem baixar demais a concentração de glicose no sangue, se usadas em altas doses ou junto com medicamentos antidiabéticos sintéticos. Chia, guar e aveia são usadas para evitar a absorção de açúcar e gordura pelo organismo, prevenindo problemas a diabéticos ou evitando aterosclerose. Porém, essas plantas também atrapalham a absorção de ingredientes úteis à saúde como vitaminas ou medicamentos, se tomados juntos. “Isso acontece porque algumas ervas e fitoterápicos não combinam com determinados medicamentos e podem mascarar sintomas ou mesmo intensifica-los”, alerta Jamar que acrescenta sobre o alerta sobre o horário e a forma de ingerir os medicamentos fitoterápicos já que também influenciam no resultado. 


Para finalizar, o especialista explica que um medicamento pode anular os efeitos de outros, por isso é tão essencial buscar orientação até mesmo para o uso diário e contínuo de um ‘simples’ chá. 

Sobre Jamar Tejada –  Farmacêutico graduado pela Faculdade de Farmácia e Bioquímica pela Universidade Luterana do Brasil, RS (ULBRA), Pós-Graduação em Gestão em Comunicação Estratégica Organizacional e Relações Públicas pela USP (Universidade de São Paulo), Pós-Graduação em Medicina Esportiva pela (FAPES), Pós-Graduação em Comunicação com o Mercado pela ESPM, Pós-Graduação em Formação para Dirigentes Industriais com Ênfase em Qualidade Total – Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul-(UFRGS) e Pós-Graduação em Ciências Homeopáticas pelas Faculdades Associadas de Ciências da Saúde. Proprietário e Farmacêutico Responsável da ANJO DA GUARDA Farmácia de manipulação e homeopatia desde agosto 2008. 

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